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Gastronomia pode fortalecer o turismo e a cultura cearense

publicado 13/02/2019 12h46, última modificação 14/02/2019 10h56
Pesquisa com trade indica que pratos típicos precisam de modernização tecnológica e divulgação consistente

Que o Ceará é um destino turístico dos mais desejados, todos já sabem. Mas como assegurar o fortalecimento e a sustentabilidade do potencial turístico da nossa região é uma questão mais complexa.

A professora e pesquisadora do Grupo de Estudo de Geografia, História e Turismo do campus de Fortaleza, Gláudia Mapurunpa, ao lado do pesquisador da UFC e também aluno do IFCE, Moisés da Costa, vem se debruçando sobre o tema.

A dupla investigou as potencialidades e formas de utilização da gastronomia cearense como atrativo turístico, e o resultado da pesquisa será capítulo da série Alimentação e Cultura no livro Gastronomia & Turismo, com previsão de publicação no primeiro semestre deste ano.

Os pesquisadores reuniram informações de periódicos (revistas e jornais), de entrevistas com empresários e administradores de restaurantes e de questionários com turistas visitantes de Canoa Quebrada, Morro Branco, Águas Belas, Cumbuco, Lagoinha e Mundaú. A coleta de dados ainda foi feita em Fortaleza, especificamente na Praia do Futuro.

De acordo com Gláudia e Moisés, a investigação concluiu que a gastronomia regional tem grande potencial como um atrativo turístico de base cultural. Dessa forma, o turismo gastronômico é um atrativo cultural que pode favorecer o desenvolvimento regional e, por meio do serviço e da elaboração do cardápio regional, fortalecer a identidade e fazeres locais, bem como valorizar e demonstrar a riqueza dos produtos locais.

                         Peixe frito inteiro antes de ir ao fogo (Peixe frito)

Peixe também é uma opção no litoral cearense

A investigação indica, ainda, o fomento de inventários e pesquisas relacionadas à gastronomia regional, a divulgação mais vigorosa desse segmento para o público que visita o Ceará e, em especial, nas feiras e eventos de turismo nacionais e internacionais.

Alguns eventos com foco na gastronomia cearense foram lembrados, a exemplo do Festival da Lagosta (Icapuí), Festival da Sardinha (Cascavel), Festival do Escargot (Taíba) e o Tejubode (Tejuçuoca). No entanto, Mapurunga e Costa avaliam que são promoções pontuais. Pratos como a buchada, a panelada e o sarrabulho são considerados regionais, porém não são regularmente ofertados nos circuitos turísticos.

                                           Lagosta.jpg (Dueto Areias Coloridas)

Lagosta é tema de festival gastronômico no Ceará

Outro ponto levantado na pesquisa é que a culinária típica tem condições de se tornar um diferencial do mercado, mas precisa ser considerada e reinventada com a tecnologia gastronômica atual.

Para os pesquisadores do IFCE e da UFC, o turismo gastronômico é um segmento importante de apresentação da diversidade cultural, da história e dos costumes locais e oportuniza ao visitante construir memórias das viagens por meio dos aromas e sabores constituintes do local visitado. Enfatizam que cabe aos administradores locais centralizar esse potencial como uma diretriz que contribui para diversificar a oferta turística atual, cujo foco é o lazer e o uso do ambiente físico.

A pesquisa foi compilada no artigo científico “Estudo exploratório acerca da gastronomia regional enquanto atrativo turístico: o caso do litoral cearense”.