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Docente coordena tratamento de animais queimados no Pantanal

PELE DE TILÁPIA

Professor Felipe Rocha, do campus de Jaguaribe, desenvolve pesquisas com curativo biológico desde 2018
última modificação: 17/10/2020 20h49
Foto: divulgação Professor Felipe Rocha e equipe no tratamento de animal queimado no Pantanal

Professor Felipe Rocha e equipe no tratamento de animal queimado no Pantanal

O biólogo e professor Felipe Rocha, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) - campus de Jaguaribe, coordenou a missão de pesquisadores locais que foram ao Pantanal do Mato Grosso, neste mês de outubro, para usar a pele de tilápia no tratamento de animais feridos nos incêndios que castigam aquela região há semanas. Cerca de 40 curativos biológicos foram utilizados, e outros 90 foram deixados com veterinários locais, capacitados para dar sequência ao trabalho com as espécies resgatadas em função das queimaduras em parte do corpo.

O convite à equipe cearense foi feito pela ONG Ampara Animal - que tem atuado no resgate aos animais queimados no Pantanal - por conta do trabalho desenvolvido por eles no Instituto de Apoiado ao Queimado do Ceará, que usa a pele da tilápia, desde 2015, no tratamento de queimaduras em humanos e animais domésticos e domesticados, como cachorros, gatos e cavalos.

De acordo com o docente do curso de Ciências Biológicas, essa foi a primeira vez que a pele da tilápia foi usada em animais silvestres. Durante os seis dias em que estiveram em Mato Grosso, os curativos biológicos foram usados em espécies como antas, tamanduá-bandeira, veados catingueiros, quatis e queixadas. Os tratamentos foram realizados no hospital veterinário da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, e em uma base montada na cidade de Poconé, a 102km da capital mato-grossense.

“A pele da tilápia é um curativo oclusivo rico em colágeno, que é incorporado à ferida do paciente durante o processo de tratamento. Após um período de 10 a 15 dias com o curativo, há a cicatrização da queimadura, levando à completa revitalização no tecido do animal”, explica Rocha. Segundo ele, poucos dias após a aplicação da pele, já se percebeu uma melhora das vítimas, que, antes apáticos e com mobilidade reduzida, voltaram a se levantar e melhoraram o ânimo.

Também integraram a missão a veterinária Behatriz Odebrecht e o enfermeiro Silva Júnior, especialista em aplicação do curativo biológico. A pesquisa com a pele da tilápia foi iniciada na Universidade Federal do Ceará (UFC) e terá sequência no IFCE Jaguaribe, com o estudo das propriedades citotóxicas do colágeno da pele da tilápia. O estudo será feito em parceria com a aluna Sofphia Martins, do mesmo campus, e o apoio de uma bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) no âmbito do Instituto.

Ícaro Joathan - Comunicação Social/reitoria