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Coronavírus: IFCE mobiliza pesquisadores e alunos em várias frentes

PANDEMIA

Instituto atua em todo o Estado para ajudar a frear o avanço da pandemia
última modificação: 31/03/2020 13h35

As notícias sobre a pandemia de coronavírus assustam, preocupam – mas também mobilizam. A nova realidade com a qual convivemos nas últimas semanas motivou muitas instituições a ajudar entidades hospitalares e de saúde pública – e o Instituto Federal do Ceará (IFCE) também se enquadra nesse contexto.

Levando em consideração o isolamento social e as recomendações de segurança, pesquisadores, alunos e gestores somam forças para ajudar entes públicos e privados nesse momento delicado. A Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PRPI), em conjunto com a Pró-reitoria de Extensão (Proext) e a Pró-reitoria de Ensino (Proen), vem incentivando ações voltadas para o combate à Covid-19, e os resultados já estão aparecendo. Afinal, o IFCE vem agindo em várias frentes para tentar diminuir o avanço do vírus no Estado.

Álcool para hospitais

Uma dessas frentes é a produção de álcool em gel. A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) solicitaram aos Institutos Federais projetos que possam auxiliar no combate ao coronavírus, e o IFCE, através da Pró-reitoria de Administração (Proap), sinalizou com uma iniciativa de produção de 10 mil litros de álcool em gel, destinados a unidades de saúde e para a distribuição com a comunidade – produção que terá à frente o campus Fortaleza.

O campus de Boa Viagem, no sertão central cearense, largou na frente nesse sentido ao auxiliar, na semana passada, a Secretaria Municipal de Saúde com 70 litros de álcool 70%, indicado para a higienização de superfícies. Posteriormente o campus recebeu, da própria Prefeitura, insumos para a fabricação da versão em gel – trabalho que deve ser concretizado por integrantes da Licenciatura em Química já nesta próxima semana e que ajudará a ampliar a prevenção contra o vírus nos estabelecimentos de saúde da cidade.

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Álcool 70% produzido no campus Boa Viagem foi fornecido para estabelecimentos de saúde (divulgação)

Além das iniciativas citadas, a PRPI está concluindo uma parceria com o Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará (Nutec), do Governo do Estado, para produzir e distribuir, gratuitamente, 25 mil litros de álcool em gel (70%) por mês para instituições públicas – entre as quais hospitais e as próprias parceiras – além de associações comunitárias, como de catadores, por exemplo. A logística de produção e distribuição está sendo estudada pelas instituições no sentido de que a distribuição já aconteça nas primeiras semanas de abril, na medida em que os produtos vão sendo fabricados.

“Entendo esta iniciativa como de grande importância para o enfrentamento dos problemas graves advindos da disseminação do coronavírus, permitindo que as instituições acadêmicas, caso de institutos e centros de pesquisa, possam trazer, com seu conhecimento e ciência, bem-estar para a população”, comenta o professor Rinaldo Araújo, do IFCE Fortaleza, que coordenará a ação em conjunto com o pesquisador Ari Clecius Alves de Lima, do Nutec.

Olhos protegidos

O Instituto vem ampliando também a produção de máscaras do tipo face shield, que protegem os olhos dos profissionais de saúde e são usadas em conjunto com as máscaras tradicionais, que cobrem a boca e o nariz. Os itens, considerados Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), são confeccionados em impressoras 3D.

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Máscaras face shield ajudam na proteção de profissionais de saúde (divulgação)

O campus Fortaleza vem produzindo dois modelos, um mais simples e outro mais elaborado. De acordo com o professor Wendell Rodrigues, chefe do Departamento de Pesquisa da PRPI, o modelo simples é produzido de forma mais rápida, um por minuto, em cortadoras a laser. Mais de 400 unidades estão em processo de fabricação para distribuição na próxima semana.

O Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC)/Ebserh é parceiro na iniciativa, tendo testado e emitido parecer técnico favorável ao uso dos protetores faciais. O projeto também é apoiado por empresários, parentes e amigos dos servidores e alunos do IFCE, em especial aos vinculados aos laboratórios de Inovação Tecnológica - LIT, de Ensaios Mecânicos - LEM, de Fotônica, do Grupo de Desenvolvimento em Sistemas Embarcados - GDEST e do Polo de Inovação Embrapii Fortaleza.

O professor Ernani Leite, coordenador de Incubadora de Empresas do IFCE Fortaleza, participa ativamente dos processos de produção e distribuição das máscaras. “Poder ajudar os profissionais de saúde que estão na linha de frente é muito gratificante. Esse é o sentimento de toda a nossa equipe”, disse o docente.

Em Tauá, no Sertão dos Inhamuns, já houve produção de máscaras do tipo no âmbito do setor de Tecnologia da Informação e do Laboratório de Eletromagnetismo do campus. As viseiras foram doadas para um hospital da cidade. Sobral também iniciou a produção de máscaras, utilizando seis impressoras e com uma meta de produzir 500 unidades, em parceria com a Secretaria da Educação do Município, com a UFC e com a empresa SobralNET. A primeira entrega ocorreu na sexta (27), beneficiando três hospitais da cidade e o SAMU.

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Equipe do campus de Sobral realizando entrega de máscaras (Divulgação - Facebook IFCE Sobral)

Outras unidades do IFCE também estão produzindo as máscaras para doação, como Cedro, Juazeiro do Norte e Tabuleiro do Norte. O campus de Limoeiro do Norte doou 3 mil folhas de acetato A4. “É uma iniciativa que tem a participação de alunos, pesquisadores, extensionistas e ex-alunos que possuem impressoras 3D”, destacou Wally Menezes, pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação do IFCE. “É oportuno que a sociedade possa realizar a doação de acetato ao IFCE, pois com nossos parceiros podemos imprimir mais 1.500 peças por dia, utilizando impressoras laser. As doações podem acontecer na portaria central do campus Fortaleza ou podem encaminhar solicitação ao e-mail prpi@ifce.edu.br que providenciaremos a coleta”, continuou o gestor.

Pandemia observada

Tentar criar modelos de previsão do avanço da doença dentro do Estado considerando os fatores locais e testando diferentes cenários. Essa é a tarefa do professor Regis Marques, do Mestrado em de Engenharia de Telecomunicações do campus do IFCE em Fortaleza.

Trabalhando com um aluno de graduação e buscando trocar informações com colegas da UFC, o docente tem aproveitado a suspensão das aulas para dedicar-se pessoalmente a acompanhar e analisar dados da China, Alemanha, Espanha, Itália, São Paulo, Brasil e Ceará.

“Algumas projeções (de outras pesquisas) em nível de Brasil indicam um aumento significativo, a princípio sem o achatamento da curva e com pico em até 20 dias. Para o nosso Estado, e esse está sendo nosso foco, se as medidas de isolamento forem mantidas e até intensificadas, teremos um aumento mais controlado que o nacional, mas ainda preocupante, com pico também em até 20 dias (a partir de sexta-feira, 27 de março)”, disse o pesquisador.

Regis aponta ainda que os três fatores principais para a relação propagação versus controle tem sido: 1. densidade populacional; 2. políticas de isolamento ou a falta delas e 3. capacidade de resposta do sistema de saúde.

O docente também destacou que o Ceará vai alcançar o décimo quinto dia próxima segunda-feira (30), que é uma marca importante para analisar o comportamento da curva e a reação do governo e o comportamento da população. “No Ceará, conseguimos desacelerar no começo. Em outros países, o pico ocorreu entre o décimo quinto e o vigésimo quinto dia. Não existe uma fórmula fechada, temos que observar e acompanhar. Os últimos 3 dias aqui no Estado mostram uma desaceleração, mas não sabemos ainda se isso é influência de um possível baixo número de exames ou se já é efeito do confinamento”.

Para Regis, é importante que o confinamento continue para verificar se esta é uma tendência positiva, o que poderá ser inédito em relação ao tempo de controle. “Temos ferramentas matemáticas, mas o comportamento humano é uma variável que não temos como avaliar muito bem”, finalizou o professor.
 
Dowglas Lima e Luís Carlos de Freitas - Comunicação Social/reitoria