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IFCE e Sociedade de Assistência aos Cegos renovam parcerias

Extensão

Tipografia Braille Neue foi adaptada para o português pelo LAPADA
última modificação: 05/05/2022 17h38

A inclusão da pessoa cega aproxima há algumas décadas o Instituto Federal do Ceará da Sociedade de Assistência aos Cegos, mais conhecida como Instituto dos Cegos. Para estreitar ainda mais as relações entre as instituições e traçar novos projetos, gestores do campus de Fortaleza visitaram a associação no último dia 20.

Na ocasião, o Laboratório de Pesquisa Aplicada ao Desenvolvimento em Automação (LAPADA) entregou placas informativas para o Memorial Dr. Waldo Pessoa, utilizando a tipologia Braille Neue, que une o braile e a tinta. “Esses dois sempre caminharam em mundos diferentes. Quem enxerga sabe como são as letras, mas não entende o braile. E quem é brailista, por não enxergar, não entende as letras cursivas”, explica Anaxágoras Girão, coordenador do LAPADA e presidente do Instituto Iracema.

A ideia, segundo o prof. Anaxágoras Girão, é popularizar mais o braile por meio dessa união com a tinta. A fonte foi desenvolvida para as Olimpíadas de Tóquio e adaptada para o português pela equipe do LAPADA.

Placas informativas foram confeccionadas pelo Lapada em parceria com o Instituto Iracema

A Diretoria de Extensão do campus de Fortaleza também iniciou debates para propor uma programação pedagógica para a sala maker da Sociedade de Assistência aos Cegos. Montada pela Vivo, a sala visa estimular a cultura do fazer, a autonomia e a colaboração em grupo. A proposta do IFCE é unir arte e tecnologia nesse espaço, aproveitando as oportunidades geradas pela curricularização da extensão, que responderá por 10% da carga horária dos cursos superiores a partir de 2023.

Para o diretor de extensão do campus de Fortaleza, Edson Almeida, é uma oportunidade de “sair dos muros” e “mostrar o que o nosso aluno sabe fazer”. “É uma troca muito ampla. O aluno que está em sala de aula e que nunca tem vivência do campo nunca vai ser um profissional voltado para as soluções locais ou até nacionais. É uma grande oportunidade para o aluno colocar em prática o que teorizou em sala de aula”, acrescenta.

Sala maker receberá atividades de extensão

Sala maker receberá atividades de extensão do IFCE

Foi renovada, ainda, a parceria para a manutenção das máquinas de escrever em braile, ação desenvolvida pelo IFCE por meio do LAPADA. O laboratório colocou em funcionamento seis máquinas. E outras quatro, para as quais não existem peças de reposição, receberão manutenção com peças fabricadas nos laboratórios do Departamento da Indústria do IFCE. As máquinas de escrever em braile, ao lado da reglete, são a tecnologia assistiva mais utilizada pelos cegos para a produção de seus textos.

Máquinas de datilografar braille


Sociedade de Assistência aos Cegos

Fundada em 1942, a Sociedade de Assistência aos Cegos nasceu com a missão de fomentar a cidadania plena da pessoa cega. Egresso da Escola Técnica Federal do Ceará, o coordenador de projetos da associação, Paulo Roberto, destaca o trabalho de professores do IFCE com a temática da inclusão utilizando a tecnologia e destaca a necessidade de que faculdades e universidades preparem seus cursos para receberem alunos cegos, independentemente da área.

“Uma pessoa cega, por exemplo, pode fazer eletrônica se tiver os instrumentos para que fique no mesmo nível de um profissional que enxerga. Tudo é possível desde que tenha recursos e, principalmente, profissionais interessados em contribuir com esse processo de inclusão”, defende.

Braille Neue
Desenvolvida pelo designer Kosuke Takahashi para as Olimpíadas de Tóquio, a tipografia Braille Neue une a tinta e o braile e, assim, pode ser vista e tocada, ou seja, lida com os olhos ou com as mãos. A fonte, disponibilizada gratuitamente para o alfabeto inglês e japonês, foi adaptada pelo LAPADA para o alfabeto português, o que inclui, por exemplo, as vogais acentuadas e o cê-cedilha.

Por Manuella Nobre (Fortaleza)