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NEABI transforma vidas em comunidade indígena de Baturité

Alunos da aldeia Kanindé de Aratuba cursam Hotelaria e Gastronomia em Baturité
publicado: 19/04/2018 11h17, última modificação: 19/04/2018 16h27

Desde o início das atividades, quando NEABI - Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas- do IFCE, em meados de 2014, a coordenação do núcleo no campus de Baturité tinha o objetivo de desenvolver atividades de extensão nas comunidades indígenas e quilombolas da região do maciço de Baturité.

Na comunidade indígena Kanindé de Aratuba essa inserção de atividades do IFCE desenvolveu e ampliou as oportunidades de várias famílias que lá residem.

A aluna indígena Camila Gomes da Silva cursa Hotelaria no campus de Baturité desde 2015. Ela teve conhecimento dos cursos ofertados pelo Instituto através do NEABI – Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas, quando o Núcleo realizou atividades de Pesquisa e Extensão na comunidade intitulada “Sabores e Saberes” , em 2014.

Camila conta que ao iniciar o curso superior de hotelaria, surgiram resistências de cacique e pajés da aldeia, cuja principal contestação era o receio de costumes e crenças, próprios dos Kanindé de Aratuba, se perderam no decorrer dos anos para o ensino superior das universidades. “Nós, na aldeia, realizamos danças e rituais todos os dias, como forma de agradecimento ao novo dia que surge, e como às vezes estou ausente dos rituais, devido às atividades acadêmicas que desenvolvo no campus, houve essa resistência.” A aluna pontua.  

Na família de Camila, ela é a única que saiu da aldeia pra cursar um curso Superior.  Ela estudou toda a formação fundamental e média, na Escola Indígena Manoel Francisco dos Santos, localizada no centro da Aldeia, que desenvolve atividades culturais com o intuito de preservar a história e a memória de todos os indígenas que por lá passaram.

Na véspera do Dia do Índio do ano de 2017, a aluna Rildelene dos Santos Silva, também indígena da Aldeia Kanindé de Aratuba, concluiu o curso de Tecnologia de Gastronomia. Rildelene foi a primeira estudante de comunidade indígena a concluir curso superior.

  O trabalho de conclusão de curso dela, intitulado “Bebida indígena mocororó: desvendando um pouco da composição e da aceitação por não indígenas consistia na realização de entrevista com lideranças indígenas dos Kanindé e Tremembé a respeito da bebida típica, avaliação sensorial por não indígenas e análise de composição. A aluna destaca, como comemoração ao dia do índio, a importância das ações desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI) na comunidade na qual reside, atuando como agente de transformação da realidade local. “Por meio do NEABI, pude me aproximar das ações acadêmicas, projetos e cursos do Instituto Federal do Ceará campus de Baturité”. Afirmou.

Atualmente, o campus Baturité tem seis estudantes oriundos das comunidades indígenas da região. As atividades desenvolvidas pelo NEABI, no campus de Baturité, foram coordenadas pela docente do Instituto Federal do Ceará Anna Erika Ferreira Lima até o ano de 2016. A partir de então, o projeto de Extensão é coordenado pelo docente do campus, Temilson Costa. A aldeia Kanindé é centenária e tem a história marcada por processo de migrações, e vem mantendo, apesar de dispersões, laços de parentesco e sociabilidade que unem as comunidades da região à educação. Através das ações de Ensino Pesquisa e Extensão do IFCE, os membros das comunidades estão, gradativamente, sendo inseridos no mercado de trabalho. Com isso, a educação cria, cada vez mais, relações interculturais. 

 Inácio Oliveira - Campus de Baturité