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Professor relata desafios com pós-doutorado e pandemia em Portugal

CAPACITAÇãO CIENTEiFICA

Docente do IFCE campus de Aracati, Glácio Araújo desenvolve pesquisa na Universidade de Coimbra
última modificação: 08/04/2020 15h21
Pesquisa do professor Glácio Araújo poderá contribuir para avaliar os tipos de algas com maior potencial econômico

Pesquisa do professor Glácio Araújo poderá contribuir para avaliar os tipos de algas com maior potencial econômico

 Em Portugal desde dezembro do ano passado, o professor Glácio Souza Araújo, do IFCE Campus de Aracati, enfrenta atualmente o desafio imposto pela pandemia do coronavírus num dos países mais atingidos pela doença na Europa, ao mesmo tempo em que se dedica ao pós-doutoramento junto à Universidade de Coimbra. Nesse contexto, além do sentimento diante da grave situação humanitária, ele relata os passos da sua pesquisa, destacando-se a produção de um capítulo de livro para publicação internacional e artigos para periódicos científicos.

Docente do eixo de Recursos Naturais do IFCE, Glácio Araújo desenvolve uma pesquisa com objetivo de verificar a distribuição e sazonalidade de macroalgas bentônicas em poças de marés na Baía de Buarcos, em Figueira da Foz, distrito de Coimbra, Portugal; bem como observar a variação de determinados compostos biológicos extraídos de algas ao longo das diferentes estações do ano. 

Na avaliação do professor, embora com foco delimitado ao distrito português, a pesquisa vai gerar parâmetros para análise de ambientes similares no nordeste brasileiro, a exemplo das praias do município de Aracati. Com isso, será possível, inclusive, “verificar quais algas apresentam potencial biológico e econômico, como fontes de ficocolóides, explorando, por exemplo, como fonte de gelatina, além da possibilidade de cultivo dessas plantas aquáticas em laboratório ou em maior escala”, acrescenta. 

Ele explica que nos três meses iniciais do trabalho em Portugal foi realizada a primeira coleta de algas para identificação e consequente extração de compostos com interesse biológico. “A ideia é que sejam realizadas coletas em todas as estações do ano, com a identificação e consequente extração dos compostos, para comparar os dados entre elas, finalizando a pesquisa em dezembro de 2020”, continua.

A pesquisa está sendo desenvolvida sob a orientação do professor Leonel Carlos dos Reis Tomás Pereira, no Laboratório de Algas Marinhas do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, instituição pública de ensino superior fundada em 1290.  

Outro desafio

Atualmente, o pesquisador Glácio Araújo está imerso também no desafio de enfrentar as consequências da pandemia do coronavírus em Portugal, que desde 18 de março encontra-se em Estado de Emergência decretado pelo governo. Até esta terça-feira (7) , o país já havia notificado mais de 12 mil casos, com 345 mortes. 

Ele relata que está seguindo rigorosamente as recomendações de prevenção, inclusive de isolamento social, considerando que as aulas presenciais na Universidade de Coimbra estão suspensas desde o dia 17 de março. 

Enquanto toma medidas individuais de prevenção, diante das ameaças de contaminação pelo Covid-19, Glácio expressa grande preocupação com o aumento no número de casos confirmados no mundo e no Brasil em particular: “Estou muito apreensivo, não somente com quem está no Brasil, especialmente em Fortaleza e em Aracati mais com as pessoas do mundo todo. Peço a Deus que nos proteja desse vírus e espero que tudo volte ao normal o mais breve possível”.

Livro

Nesse período de quarentena, enquanto analisa os dados obtidos até o momento e planeja as demais atividades da capacitação, Glácio está escrevendo um capítulo de livro, resumos para eventos e artigos científicos para periódicos - incluindo um estudo que será publicado no volume inaugural da revista Oceans (www.mdpi.com/journal/oceans), especializada em oceanografia. 

O capítulo de livro escrito pelo professor aborda o cultivo de microalgas utilizando diferentes efluentes como meios de cultura, quer sejam de origem industrial, doméstica, da agricultura, pecuária, dentre outros, minimizando o impacto ambiental e gerando produção de biomassa destinada a diferentes fins. O texto deve ser finalizado e submetido até o início de junho, com possibilidade de publicação ainda esse ano, no livro Microalgae Biotechnology, da CRC Press, Taylor & Francis Group.

Elinaldo Rodrigues - Campus de Aracati