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Estudante cego defende TCC com êxito acadêmico em Jaguaribe

INCLUSÃO SOCIAL

Pesquisa teve como foco realidade de ensino de Biologia na percepção dos alunos
por publicado: 19/05/2017 19h54 última modificação: 20/05/2017 16h05

Dentre os grandes exemplos de superação no IFCE, o estudante Augusto Morais defendeu com Êxito Acadêmico na última quarta-feira, 17 de maio, o Trabalho de Conclusão de Curso intitulado “O Ensino de Biologia sob a Percepção Discente”. A monografia, requisito parcial para a obtenção do diploma no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFCE Campus Jaguaribe, foi orientada pelo professor Cícero Maia Cavalcante. Augusto Morais, que tem deficiência visual, teve o TCC aprovado com êxito pela banca examinadora, composta pelos professores Francisco Holanda, Valdineia Soares, Ana Gláudia Vasconcelos e pelo seu orientador Cícero Cavalcante e sua coorientadora Valkíria Medeiros. Para o Êxito Acadêmico de Augusto, levou-se em consideração, além da qualidade intrínseca do trabalho, o seu excelente desempenho ao longo de sua trajetória nos 4 anos da licenciatura.

PERSPECTIVA DISCENTE DE ENSINO

A respeito do trabalho, Augusto Morais afirma que a pesquisa teve como foco a realidade de ensino de Biologia na cidade de Jaguaribe. Ele lembra que muitos trabalhos de pesquisa qualitativa na área de educação em ciências esquecem que o foco principal deve ser o aluno, o maior sujeito envolvido no processo de ensino-aprendizagem. “O trabalho levou em consideração no ensino de Biologia um dos seus principais atores, que é o estudante. “, disserta. “A gente tem que refletir na prática discente para que aprendizagem realmente aconteça. Ouvindo o aluno, a gente pode tomar as verdadeiras decisões e fazer a proposição de melhoria.”, complementa.

DOCÊNCIA

Augusto Morais afirma que seu objetivo, desde o início da faculdade, sempre foi ser professor. “Eu quase fui aprovado no concurso recente do IFCE. Estudei somente uma semana antes e fiquei apenas a 8 pontos. Meu objetivo este ano é estudar para o concurso do Governo do Estado e também para o ingresso do Mestrado do Programa de Pós Graduação da Universidade Federal do Ceará, dando continuidade a pesquisa elaborada na licenciatura.”

ATITUDE

Augusto é muito popular na cidade de Jaguaribe. Dentre os amigos, estão educadores da cidade e os colegas dos dois Centros Acadêmicos de Jaguaribe. Desde que perdeu totalmente a visão, revelou-se um exemplo de superação, dedicação e atitudes além dos limites. “Um exemplo”, comentam os professores. A cegueira não o limitou. O levou a aprender braile e a reaprender se locomover em espaços amplos de Jaguaribe e da capital cearense. Em Fortaleza, assistiu as aulas no Instituto dos Cegos do Ceará. Em 2014, decidiu seguir a carreira de Biólogo, sendo aprovado no ENEM e ingressando como discente no Campus do IFCE de Jaguaribe.

Augusto Morais está terminando o mandato como presidente do Centro Acadêmico e membro do Diretório Central dos Estudantes. Vindo de uma família em que o avô foi prefeito de Jaguaribe, conta que a experiência política foi um marco em sua trajetória. “A experiência de militância me fez crescer muito. No movimento estudantil, a gente toma consciência de nosso papel social e político. Mais do que nossos direitos, a gente reflete sobre nossas obrigações como cidadãos”, diz.

DINAMISMO

De início, ciente de que incluiria um aluno cego que precisaria de um atendimento especial, a direção-geral do IFCE Jaguaribe preparou as condições físicas e didáticas para sua participação nas atividades acadêmicas e locomoção nas dependências do Instituto. A chefe de gabinete da direção geral do IFCE, professora Luana Lima, esteve presente ao processo e narra que as expectativas foram superadas com o dinamismo e preparação do Augusto para a vida dentro do Instituto. “Antes do Augusto entrar no IFCE, trouxemos uma pessoa de Juazeiro para nos dar orientações relativas a inclusão. Entretanto, logo ficamos surpresos com a capacidade do Augusto em realizar todas as atividades programadas e, inclusive, participar e propor inúmeras outras.”, relembra.

Luana narra como em pouco tempo foi surpreendente ter Augusto entre os alunos, já vindo, logo nas primeiras aulas, munido de computador com programas de acessibilidade, mostrando dinamismo nas disciplinas, pesquisas em laboratório, participação em sala de aula e liderança nos movimentos estudantil local, estadual e ações de pesquisa e extensão do IFCE. “Fui professora de Química do Augusto nos primeiros semestres. Ele sempre se destacou por ser o melhor aluno da sala, inclusive ajudando os demais colegas que tinham dificuldades em alguns pontos, como durante a preparação para as provas”, diz Luana.

DESTAQUE ACADÊMICO

“Eu sempre disse aos demais que o Augusto é um exemplo.”, destaca o professor da Licenciatura em Ciências Biológicas do IFCE Jaguaribe, Felipe Monteiro. “Sempre cumpria as tarefas antes do prazo, se destacava entre os alunos, lia tudo, era um dos mais empenhados. Mesmo com as necessidades, foi mesmo o melhor da disciplina.”. Felipe reitera que Augusto conseguiu unir a rotina acadêmica com o movimento estudantil, a extensão, a pesquisa e demais responsabilidades.

A diretora de ensino do IFCE Jaguaribe, Efigênia Alves, ressalta o sucesso do estudante em todas as disciplinas. “Ele foi um sucesso na participação em visitas técnicas, aulas de laboratório e tudo mais e nem quis um bolsista para lhe ajudar. Ele sempre foi muito autônomo.”, diz. “Ele foi sempre muito eficiente, competente, ‘não devendo em nada a ninguém’. Pelo contrário, dava aula de reforço aos colegas, em casa. Sempre pegou o conteúdo com muita tranquilidade. Um aluno responsável, resolutivo, maduro, presidente do CA, representante do DCE aqui em Jaguaribe, um menino de ouro. Li os agradecimentos do TCC dele e chorei”, conta professora Efigênia.

HOMENAGENS

A equipe de professores, servidores técnico-administrativos e colaboradores do Campus do IFCE Jaguaribe parabeniza Augusto Morais pelo êxito de seu Trabalho de Conclusão de Curso e pelo mérito de seu Êxito Acadêmico, lhe desejando mais sucesso ainda nesta nova fase que tem início, sabendo de sua grandeza como acadêmico e cidadão. O país ganha um professor, um pesquisador, um cientista.