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Crateús: Estudo aborda resistência da vegetação nativa no semiárido

Trabalho analisa efeitos de estresses climáticos no desenvolvimento de espécies típicas locais
publicado: 05/10/2017 11h56 última modificação: 05/10/2017 12h17
Alunos bolsistas participam de trabalho de campo no projeto de pesquisa

Alunos bolsistas participam de trabalho de campo no projeto de pesquisa

Uma pesquisa realizada no campus de Crateús está avaliando os efeitos climáticos no desenvolvimento de espécies da vegetação nativa da caatinga. O estudo trata especialmente do impacto dos estresses em plantas nativas, provocados pelo excesso de sais e pouca água no solo, situação típica de regiões expostas a altas temperaturas e ausência de chuvas, como se constata no semiárido brasileiro. 

O projeto intitulado "Efeitos dos estresses salino e hídrico sobre a germinação e correlação com a produção de biomassa em espécies nativas da caatinga" foi aprovado no Programa de Bolsas de Produtividade em Pesquisa e Estímulo à Interiorização, da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP). As atividades tiveram início em maio de 2016 e seguem até maio de 2018.

O estudo partiu da carência de informações sobre os mecanismos de adaptação de sementes de espécies nativas, do semiárido nordestino, às condições de restrição hídrica e salinidade no solo, e como essas sementes conseguem iniciar o desenvolvimento vegetativo em seu ambiente natural.

O trabalho tem à frente as professoras Nara Lídia Alencar e Sâmia Paiva de Oliveira, ambas do IFCE. Conta também com a colaboração dos professores Enéas Gomes Filho e Maria Izabel Gallão, da Universidade Federal do Ceará (UFC), além do técnico em Agropecuária Valdênio Mendes Mascena (IFCE – campus de Crateús) e dos estudantes Francisco Igo Rodrigues, Rafaela Magalhães Dias Carvalho, Marcos Rafael de Sousa Rodrigues e Maria Aline Alves Mota, alunos do curso de Zootecnia do campus de Crateús.

Informações inéditas sobre o bioma

A pesquisa é focada em espécies arbóreas nativas da Caatinga pertencentes à família Fabácea, por esta se destacar como uma das mais representativas na região e com maior quantidade de tipos endêmicos, em especial a Sabiá e a Jurema, que são tradicionalmente utilizadas para produção de lenha e como alimento para os animais, sobretudo na época de seca. Até o momento, o trabalho revela que algumas espécies germinam bem, mesmo em condições de estresse elevado. O propósito agora é analisar as características que favorecem a tolerância a essas adversidades.

Na avaliação das pesquisadoras Nara Lídia Mendes e Sâmia Paiva de Oliveira Moraes, o entendimento sobre isso poderia colaborar com a elaboração de planos sustentáveis de exploração das espécies estudadas, a partir de informações inéditas sobre o bioma. “Além de identificar os mecanismos de resistência ocorrentes nessas espécies, poderia direcionar atividades de exploração e projetos de recuperação de áreas degradadas”, considera.

Quanto à acessibilidade aos resultados, a expectativa é que o projeto favoreça a produção de artigos científicos e sua conseqüente publicação em revistas especializadas na área. Com isso, os pesquisadores esperam estimular o estudo da riqueza do bioma caatinga, que ainda tem um vasto potencial para a exploração científica.

Elinaldo Rodrigues – Campus de Crateús

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